Por Genys Alves Jr.
O julgamento de Jair Bolsonaro e outros, iniciado esta semana no STF, expõe uma crise de legitimidade sem precedentes no Judiciário.
A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta cinco crimes atribuídos a Bolsonaro e outros réus todos relacionados a um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ex-presidente é acusado dos seguintes crimes:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Entretanto omite o cerceamento promovido pelo próprio TSE em 2022, que tornou o pleito com Lula profundamente desigual ao censurar debates legítimos e criminalizar a oposição.
O cenário é ainda mais grave: o julgamento ocorre no STF, perante a turma com cinco ministros, sendo três ministros hiper-suspeitos: Alexandre de Moraes, que seria vítima de suposto plano dos acusados, age como juiz e parte. Flávio Dino, integrante do governo que os réus supostamente queriam "destituir", também integra a turma. Cristiano Zanin, ex-advogado pessoal de Lula, completa o trio que deveria ser impedido por evidente conflito de interesses.
É um espetáculo kafkiano: quem definiu as regras do jogo em 2022 agora julga quem as questionou.
Eu defendo a legalidade, mas repudio esta farsa judicial. Julgamentos assim não fortalecem a democracia – apenas aprofundam a desconfianza nas instituições.
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